Abaixo segue um excelente texto do Pedro Arruda…

Uma pequena reflexão sobre a verdade e uma perfeita escolha para retomar as postagens deste blog.

Eloquente silêncio de Jesus sobre a verdade  Por: Pedro Arruda Data: 12/07/2011

Pilatos fez a Jesus uma pergunta que, aos mais desavisados, parece ter deixado Jesus sem resposta: “Que é a verdade?” (Jo 18.38). Neste caso, o silêncio de Jesus fazia parte da resposta, pois “como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca” (Is 53.7).

Somos acostumados a vincular a verdade às palavras, como se aquela devesse a estas últimas a sua existência. Na realidade, a verdade não se sujeita nem se torna refém das palavras, como costumamos presumir. Ela é o fato e não a versão dele. Quando a verdade está relacionada às pessoas, diz respeito muito mais às atitudes do que às palavras, é muito mais subjetiva do que objetiva, por isso cada vez que alguém falta com ela, faz isso de maneira consciente.

A verdade é transparente, não precisa de sombras para se esconder, não precisa ser justificada nem melhorada com versões mais nobres. A verdade não ofende e está sempre em boa companhia, como da luz, do amor, da misericórdia, da justiça, que não são excludentes entre si. Por fim, ela alcançou o seu posto mais nobre quando o Filho de Deus a escolheu como parte de sua biografia: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida” (Jo 14.6). Que bela trilogia para irmos ao Pai!

A verdade também é amiga da liberdade. Da liberdade em essência, e não em seu aspecto exterior. Assim, há muitos que, embora aprisionados, sentem-se plenamente livres, enquanto há outros que, sem ter nenhuma restrição, se autoaprisionam como consequência de desprezarem a verdade.

Talvez a maior mentira seja apresentar a verdade como algo desagradável e rude. Expressões populares como “Diga a verdade, doa a quem doer”, “A verdade nua e crua” fizeram da verdade uma aparente ameaça. Para parecerem poderosas, algumas pessoas afirmam ter a posse dela e, defensivamente, usam-na como possibilidade de chantagem ou moeda de troca.

Somente a verdade pode se identificar como conteúdo; a mentira, sempre vazia, tenta se esmerar no rótulo para ganhar credibilidade. Assim, para iludir, procura trocar sua imagem com a da verdade, vestindo um ar de suavidade e de justiça amorosa.

A estratégia de treinamento de reconhecimento de dinheiro falso consiste em saturar o treinando à exposição e manipulação de notas verdadeiras, e isso de tal forma que quando ele se depara com uma falsa, reconhece-a de imediato até por intuição. Da mesma forma, quem quer aprender a discernir a mentira deve se habituar à verdade e amá-la. Esta é única maneira de não ficar à mercê de palavras que pretendem sequestrar a verdade e fazê-la refém delas. Enquanto a verdade produz liberdade, a mentira sequestra, aprisiona e escraviza quem vive em acordo com suas maquinações.

Pilatos queria uma definição de verdade para servir-lhe de rótulo que lhe permitisse manipulá-la, porque valorizava a retórica e queria dar um jeito de sempre estar de bem com a maioria e com os poderosos, no entanto vivia preso à mentira. Assim ele preferiu apenas um simulacro da verdade, embora a verdade estivesse em pessoa diante dele.

Cabe a nós refletirmos se damos mais importância às versões objetivas, defendendo-nos delas ou exigindo explicações, ou descansamos sabendo que a verdade é imutável e não se sujeita a caprichos que estejam a serviço dos interesses de quem quer que seja. Confiar na verdade é confiar em Deus e nele descansar